Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Página inicial > Notícias > Univap Participa de Projeto e Construção de Foguete 100% Nacional
Início do conteúdo da página

Univap Participa de Projeto e Construção de Foguete 100% Nacional

Publicado: Quinta, 20 de Março de 2014, 11h35 | Última atualização em Quarta, 14 de Janeiro de 2015, 16h08

Quando se trata de ciência e tecnologia, o setor espacial é um dos que mais despertam curiosidade e fascinação no público. Apesar disso, são poucos os países que dominam as tecnologias de construção e lançamento de foguetes, e o Brasil não faz parte deste grupo. Agora, uma iniciativa independente está unindo universidades do país em torno dessa atividade.

O projeto do Foguete Universitário (FogUni) é uma ação conjunta em que cada instituição fica responsável por desenvolver um equipamento. Atualmente, participam a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade do Vale do Paraíba (Univap), a UniBH, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

Apesar de congregar tantas universidades, o projeto começou com expectativas mais modestas. Em 2009 o engenheiro aeroespacial Rene Nardi, que trabalhou por mais de 10 anos na Embraer, percebeu que muitas vezes os universitários brasileiros não têm oportunidade de aplicarem diversos conhecimentos na prática. Junto com a engenheira mecânica Vladia Perez, ele criou a Inotech, uma empresa sem fins lucrativos destinada a fomentar estas atividades.

A ideia, no princípio, era apresentar a um grupo de universitários o desafio de projetar e construir um motor de foguete a combustível líquido. A primeira turma foi composta por 4 alunos de Engenharia Aeroespacial da UFMG. Conforme o trabalho foi se desenvolvendo, professores e estudantes de outras universidades também se interessaram em participar, e a possibilidade de construir um foguete foi se desenhando.

Uma turma de Engenharia Aeronáutica da Univap também ficou encarregada de trabalhar no desenvolvimento do motor, que será movido a etanol e oxigênio líquido. A peça, projetada para levantar um foguete de até 100 kg, já foi desenvolvida, mas ainda não pode ser posta à prova. “Há dois bancos de testes sendo construídos, um pelos alunos de Engenharia Mecatrônica da PUC-MG e outro na UFMG; os dois já deveriam estar prontos, mas, infelizmente, isso ainda não aconteceu”, afirma Nardi.

A situação é diferente com a injetora de propelente, parte do motor encarregada de levar o combustível até a câmara de combustão. O equipamento foi avaliado com sucesso em um banco de testes construído por uma turma de Design Mecânico do Senai.

As últimas instituições a entrarem no projeto foram a UFSJ, com uma turma de Engenharia Mecânica responsável por desenvolver as válvulas que regulam a saída de combustível da injetora, e a UniBH, que desenvolve os computadores encarregados de controlar o voo do foguete.

O coordenador do curso de Engenharia Elétrica da universidade, Euzébio Souza, explica que a função deste sistema é permitir ao foguete se manter em uma trajetória específica. “Trabalhamos com três eixos principais: os computadores têm que evitar que haja movimento lateral, rotação, e que o foguete se afaste da rota original”, afirma. Segundo ele, “é uma grande oportunidade de os alunos conseguirem aplicar o que eles aprendem em disciplinas de cálculo e física, muitas vezes vistas como puramente teóricas”.

Embora a falta de tradição do país na área de lançamentos espaciais gere muitos problemas, como a dificuldade em comprar algumas peças, o FogUni vai, aos poucos, se tornando realidade. Outra turma da UFMG está encarregada de projetar o corpo do foguete, que está sendo pensado para atingir pelo menos 1 km. No entanto, ainda não há um prazo para que o trabalho seja concluído. “Tudo depende de conseguirmos o dinheiro para os materiais e serviços”, explica Nardi.

Para o engenheiro, a expectativa é de que o projeto traga muito mais frutos do que a construção do FogUni. “Já formamos entre 40 e 50 engenheiros capazes de projetarem motores de foguetes e torço para que alguns deles se tornem empreendedores na área”, ressalta. “O Brasil adora comprar tecnologia, mas, dessa forma, vamos sempre ter equipamentos de segunda mão e depender dos estrangeiros”, completa.

Fonte: FVE/Univap

http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/noticia/2014/02/universidades-se-unem-para-projetar-e-construir-foguete-100-nacional.html

registrado em:
Fim do conteúdo da página