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Cooperação em biotecnologia é um marco das relações entre Brasil e Argentina

Publicado: Quinta, 22 de Junho de 2017, 16h03 | Última atualização em Segunda, 17 de Julho de 2017, 15h30

Nos 30 anos do Centro Brasileiro-Argentino de Biotecnologia, pesquisadores participam de simpósio sobre zika no MCTIC. Para diretor de Políticas e Programas de Ciências, parceria gerou considerável base de conhecimento.

Com três décadas de atividades ininterruptas, o Centro Brasileiro-Argentino de Biotecnologia (Cabbio, na sigla em espanhol) é a cooperação de maior êxito mantida pelos dois países em ciência e tecnologia. A longevidade do programa ganhou destaque na abertura do 1º Simpósio Cabbio de Temas Atuais em Biotecnologia, nesta quinta-feira (22), no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O encontro reúne pesquisadores pioneiros em trabalhos com o vírus zika.

O diretor de Políticas e Programas de Ciências do MCTIC, Sávio Raeder, ressaltou a capacitação de milhares de alunos de pós-graduação pelo Cabbio, com mais de uma centena de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, gerando uma base de conhecimento e uma rede de profissionais em biotecnologia considerável para Brasil e Argentina e toda a região.

"Celebramos essas três décadas de cooperação com um evento que traz a público o conhecimento gerado sobre o vírus zika, desde o controle do vetor até tecnologias preventivas, como vacinas, passando pelo diagnóstico e pelo estudo acerca da biologia do vírus nos agravos à saúde", afirmou.

O diretor binacional do Cabbio, Claudio Valverde, reforçou a resiliência do programa a fatores externos. "Nossos países atravessam ocasionalmente turbulências econômicas e políticas, das quais não podemos nos esquivar. São realidades. Mas esse Centro é uma mostra de que, apesar dessas oscilações, é possível encontrar um horizonte para seguir em frente e continuar com as atividades, porque, afinal, Argentina e Brasil podem lograr uma independência econômica por meio do desenvolvimento da cooperação bilateral."

Pesquisador da Universidade Nacional de Quilmes e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), Valverde iniciou sua trajetória no Cabbio como aluno e, em 2011, chegou ao cargo de diretor-nacional no país vizinho. Ele remeteu a origem do programa a um protocolo assinado em 1986 pelos então presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín. O documento estabelecia o compromisso bilateral de articular um núcleo de apoio a projetos conjuntos e cursos de pós-graduação.

De 1987 a 2016, o Cabbio lançou 28 editais para financiar capacitação, com 424 cursos realizados – 217 no Brasil, 185 na Argentina, 13 no Uruguai e nove na Colômbia – e 5.557 alunos de diversas nacionalidades latino-americanas. No mesmo período, 15 chamadas públicas viabilizaram 145 projetos conjuntos.

Referência

O diretor nacional do Cabbio, Fernando Araripe, definiu o Centro como um marco pouco conhecido das relações entre os dois países. "De todos os protocolos estabelecidos nos anos 1980 por Alfonsín e Sarney, o Cabbio é o único que se manteve em uma trajetória linear, com resultados positivos."

Araripe enfatizou o interesse transnacional pelo tema do simpósio. "Trouxemos grandes pesquisadores do Brasil e também da Argentina e do Uruguai para debater o vírus zika em um ambiente científico de preocupação, porque hoje em dia a discussão parece estar se esfriando, já não se fala mais tanto disso", avaliou. "Mas é como se fosse uma bomba-relógio, que pode explodir a qualquer momento. Os nossos países têm que estar preparados."

O diretor nacional do Cabbio se disse impressionado com a rápida resposta da comunidade científica brasileira ao desafio imposto pelo vírus, a partir da epidemia de 2015 a 2016. "Isso demonstra o grau de maturidade da ciência brasileira, que surpreendeu até alguns pesquisadores, que não imaginavam uma reação tão veloz", lembrou Araripe. "O fruto de uma competência estabelecida em décadas está aí: temos um conjunto de cientistas que, se forem chamados a prestar serviço à nação, trabalham e dão resultados."

Representante do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores, o diplomata Juliano Alves Pinto apontou o Centro como referência mundial em longevidade de cooperação científica. "Aquele ano de 1986 marcou a relação do Brasil com a Argentina, elevando os países vizinhos a parceiros permanentes e prioritários", recordou. "E o Cabbio é, de fato, um exemplo de maturidade, superação de desafios, constância e, claro, muito sucesso nos seus 30 anos de trajetória."

Pinto citou um relatório publicado em 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "No documento, já se previa que, num futuro próximo, os países emergentes teriam centros de excelência em biotecnologia, tamanha era a quantidade de talentos concentrados naquela época e o caráter transfronteiriço dos problemas relacionados à bioeconomia", afirmou. "Em 2016, aqui no Brasil, conseguiu-se financiamento para que se apoiasse a pesquisa com zika e a resposta foi de fato muito rápida."

O coordenador da Rede Nacional de Especialistas em Zika e Doenças Correlatas (Renezika), Diogo Chalegre, ressaltou a "estreita cooperação" do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (Decit) com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o MCTIC. "E agora, no âmbito da Renezika, a gente ampliou essa parceria com o edital lançado no ano passado, anunciando R$ 65 milhões, pelos quais contratamos 71 projetos", informou. "E eu fico muito feliz de chegar a esse simpósio e identificar pesquisadores que fazem parte da rede, que estão aqui para apresentar suas pesquisas, todas de altíssima qualidade."

Já o diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, Marcelo Morales, comparou a perenidade do Centro Brasileiro-Argentino ao programa Pesquisa Ecológica de Longa Duração (Peld), apoiado pela agência desde 1997. "O Cabbio completa 30 anos e, na verdade, deve passar a ser chamado de Centro Latino-Americano de Biotecnologia, com a entrada formal do Uruguai [como membro pleno]. A importância dessa iniciativa alcança não só o Brasil e a Argentina, portanto, mas todo o continente, cada vez mais."

Leia matéria na íntegra em: http://www.mcti.gov.br/noticia/-/asset_publisher/epbV0pr6eIS0/content/cooperacao-em-biotecnologia-e-um-marco-das-relacoes-entre-brasil-e-argentina

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