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"2019 não será um ano fácil": entrevista com o ministro Marcos Pontes

Publicado: Quinta, 04 de Abril de 2019, 10h01 | Última atualização em Quarta, 05 de Junho de 2019, 09h55

À frente do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Pontes terá de lidar com um orçamento cada vez mais reduzido para a produção de pesquisas no país

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Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Foto: Wikimedia Commons)

A missão do primeiro brasileiro que teve o privilégio de visitar o espaço não era das mais simples. Formado em Engenharia pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Marcos Cesar Pontes era o responsável por realizar eventuais reparos nos equipamentos da espaçonave caso algo desse errado. “Não tive um minutinho de folga lá em cima”, diz o militar da reserva que completa 56 anos neste mês e que subiu a bordo do foguete russo Soyuz em 2006. Durante os oito dias em que ficou hospedado na Estação Espacial Internacional (EEI), ele afirma que trabalhou uma média de 18 horas diárias - realizou oito experimentos científicos e teve três momentos de comunicação com a Terra.

À frente do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) desde o dia 2 de janeiro, Pontes também não terá vida fácil. Na última semana, um decreto assinado por Jair Bolsonaro atingiu diretamente a pasta comandada pelo ex-astronauta: ao reduzir as verbas do Orçamento da União, o MCTIC perdeu R$ 2,1 bilhões (o equivalente a 42,27% do orçamento reservado para investimentos). A medida se soma à série de cortes que a ciência brasileira sofreu nos últimos anos: em 2018, o orçamento do MCTIC já estava 25% menor do que em relação a 2017. 

Em entrevista ao Jornal da USP,  João Luiz Filgueiras de Azevedo, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), afirmou que um rombo de R$ 300 milhões no orçamento do órgão de fomento à pesquisa ameaça inviabilizar o pagamento de bolsas de estudo e financiamentos de projetos científicos ainda neste ano.

O ministro Marcos Pontes reconhece o cenário de grandes dificuldades para os pesquisadores brasileiros. "Sabemos que, do ponto de vista orçamentário, 2019 não será um ano fácil, mas já estamos trabalhando para recuperar o prestígio da ciência brasileira e mostrar a importância estratégica do MCTIC para o desenvolvimento do país", afirma à GALILEU. Confira a entrevista completa a seguir:

Qual é o maior desafio que o senhor tem hoje à frente do ministério?
Restrições orçamentárias e burocracia para pesquisa são dois grandes desafios que vamos enfrentar com determinação. Sabemos que, do ponto de vista orçamentário, 2019 não será um ano fácil, mas já estamos trabalhando para recuperar o prestígio da ciência brasileira e mostrar a importância estratégica do MCTIC para o desenvolvimento do país. Tenho certeza de que, com muito trabalho, chegaremos a 2020 em melhores condições para elevar os investimentos e promover ações que estimulam a inovação no país.

O CNPq sofreu sucessivos cortes que afetaram as bolsas de estudos. Qual é o impacto disso na pesquisa científica?
Sem pesquisa não há inovação. A gestão passada enfrentou esse mesmo desafio em relação ao pagamento de bolsas e lançamento de novos editais. Essa questão está atrelada ao orçamento aprovado no ano passado e não temos como fazer alterações. Mas vamos nos empenhar para recuperar os investimentos em pesquisa, inclusive com um diálogo constante com a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O senhor tem mantido diálogo com associações de pesquisadores? Como elas poderão colaborar na sua gestão?
Sim, desde a transição tenho conversado com representantes da comunidade científica. Reforço que governo e comunidade científica devem formar um time pela ciência brasileira. É um trabalho conjunto em defesa da ciência, da tecnologia e do desenvolvimento do Brasil. O esforço conjunto do MCTIC com a comunidade científica do país será o motor para elevar os investimentos.

Dá para produzir ciência de qualidade no país com um orçamento de 1,3% do PIB?
Queremos fazer mais com o apoio do setor produtivo. É importante ressaltar que, apesar das restrições orçamentárias, os pesquisadores brasileiros têm feito um trabalho extraordinário. Para ter ideia, somos o 13º país em produção de artigos científicos. Só em 2017, os pesquisadores brasileiros publicaram 68.741 artigos científicos. Em contrapartida, estamos na 64ª posição no ranking global de inovação. O que nós queremos fazer é transformar esse conhecimento em produtos e serviços que melhorem a qualidade de vida da população e gerem riquezas para o país.

O senhor prometeu revisar a lei “para permitir que universidades públicas recebam investimentos privados”. Que tipo de parceria poderá ser feita?
Queremos ampliar o número de projetos de pesquisa financiados por empresas dentro das universidades brasileiras. Isso já acontece, mas apenas um pequeno número recebe aportes privados. Nosso objetivo é elevar esse investimento e, junto com as mudanças trazidas pelo Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, construir um ambiente positivo para atividades de pesquisa e inovação.

Fonte: Revista Galileu

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Assunto(s): MCTIC , CNPq , Orçamento
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